terça-feira, 6 de março de 2012

Capital Monróvia, primeiras impressões


Chegamos ao aeroporto de Roberts por volta da 13h do dia 29 de fevereiro. De cara muitas aeronaves da ONU, um esquadrão muito grande dos gigantes helicópteros Antonov, russos, verdadeiros caminhões voadores, de tão fortes e rústicos. O letreiro pintado, ao invés dos tradicionais luminosos, junto com as propagandas institucionais incentivando a união do povo para a reconstrução do país, apontam o clima geral. Todos para a imigração. Foi a primeira vez na viagem que não encontramos fila exclusiva para o passaporte diplomático. Muita gente desfilando com o uniforme das Forças Armadas Liberianas, organizando filas e o trânsito das pessoas. Teto baixo de madeira, tudo tem pinta de instalação provisória mesmo. Em seguida, grata surpresa: nossas malas já giravam pela esteira em velocidade vertiginosa. Coitadas, sentiam nossa falta e eram o centro de nossa preocupação, já que a última vez que as havíamos visto fora em São Paulo, 2 dias atrás... O fato é que enquanto nos viramos para procurar um carrinho, já havia um rapaz, com ar oficial, um tipo de macacão e crachá habilmente acomodando nossas malas num carrinho. Solícito, muito solícito. Confiante, dava orientação, pedia que estivéssemos com os tickets de bagagem na mão, depois, empurrando o carrinho, perguntando quem seria nossa carona ou se precisávamos de taxi. Sem achar o major de primeira, nos levou até um espécie lanchonete na parte de fora. Aí se vai a primeira gorjeta em solo Liberiano.
Quase que instantaneamente se apresentou um outro cara, dizendo-se segurança da lanchonete, nos convidando para sentar. Dissemos que não, que precisávamos apenas encontrar nossa carona. Não seja por isso, disse, apanhou o carrinho e nos acompanhou até a parte da frente do aeroporto, aguardando conosco, tentando ajudar de alguma forma a achá-la. Solícito, muito solícito. Olhamos ao redor e a questão é que víamos vários carros da ONU. E agora? Mas em seguida vimos uma Toyota 4Runner Branca dando a volta com um motorista de uniforme igual ao nosso. Como só existem 3 pessoas com esse mesmo uniforme em todo o país e nós éramos as outras 2, a terceira só poderia ser o Major que nunca tínhamos visto. Dito e feito. Nosso sempre solicito auxiliar nos acompanhou até o carro, ajudando a acomodar as malas. Mais uma gorjetinha, a segunda em menos de 15 minutos. Tudo provisório, o ambiente meio complexo demais para ser lido imediatamente, uma ajuda oportuna pode garimpar uns poucos dólares. Se um dólar não seria muito por ai, por essas bandas parece bem mais, aliás, pra ser preciso, é exatamente 70 vezes mais. E assim começa nossa vida por aqui, com uma centena de dólares Liberianos a menos. God bless us all.

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