Esse fim de semana estávamos Brasil (eu!), Dinamarca, Estados Unidos, Itália e Canadá conversando sobre esse negócio de cumprimentar pessoas e a dúvida, em certa altura, era se os homens franceses davam ou não beijinhos na bochecha quando se encontravam. Bem, disse que tinha estado lá recentemente e que realmente achava que não, maaassss... os argentinos... Por favor, nada contra nossos hermosos vizinhos, todos sabemos que essa tal rixa é só folclore, mas que os homens se beijam, eles se beijam... Assim como a gente, quando encontramos algumas "amigas" no bar, na porta da balada, num aniversário etc. Enfim, beijar a bochecha de uma cara que não é seu pai pode parecer meio estranho pra nós. Mas por favor, respeitemos a cultura do vizinho :-P
Bem, mas depois disso fiquei pensando... A maneira de nos cumprimentar é sim um de nossos traços culturais mais específicos e importantes, até porque usamos diariamente, até mesmo várias vezes durante o dia. Por exemplo, estive na França outro dia (ninguém é de ferro, tive que descansar um pouco...), onde ninguém se aproxima de você sem pedir licença ou desejar de cara um caloroso bom dia: Bonjour! No Brasil somos tão econômicos com essas coisas... Aliás, na França, a contato com o outro nunca está completo se não dissermos obrigado, tchau e realmente desejarmos um bom dia: Merci, Au revoir, bonne journée... Este último corresponde ao desejo de uma “boa jornada”, um "bom dia de trabalho", numa tradução bem forçada, mas enfim: é o desejo de que todo o resto do dia lhe seja realmente bom. À noitinha, há ainda o bonne soirée, que serve como “noitada”, mas que não tem nada a ver com festas e excessos. Italianos, aliás, têm os mesmos termos: Buona Giornata ou Buona Serata. E nós, como economizamos hein...
Por outro lado, nós temos essa mania de tocar nas pessoas por tudo e os homens a cultura do aperto de mão. Outro dia, referindo-se a um outro companheiro, um colega falou no escritório: “eu não sei pra quê esse negócio de apertar as mãos todos os dias... Nós trabalhamos juntos, nos vemos todos os dias, precisa ficar passando micróbio um para o outro diariamente?”. Na dúvida, particularmente, eu nunca tomo iniciativa, dou um bom dia geral e pronto...
Ao mesmo tempo, cumprimentar dentro do código de valores do outro pode ser um sinal de respeito e consideração. Por isso, costumo cumprimentar meus amigos muçulmanos da maneira deles, ou seja, em substituição ao Bom Dia ou ao Boa Tarde: Assalamu alaikum cuja resposta é Alaikum assalaam. É um significado bonito que eu acho merece ser replicado: “que a Paz de Deus esteja contigo”, e a resposta, “e sobre você a Paz Dele”. São termos árabes, mas que servem aos muçulmanos de todos os idiomas, até porque todos eles são estimulados a estudar árabe para ler o Corão na versão original.
Na Libéria, evidentemente, haveria de ter suas peculiaridades... Portanto, para começar, eles adoram um Hello. Esse é o cumprimento básico e universal: “Oi”! Simples assim, mas de preferência bem simpático, o que normalmente motiva recebemos de volta um Hi ou Hello muito caloroso. Podemos ainda tentar um Ya Hello, que é um “Hello pra todos vocês". Outro dia tentei esse cumprimento simples quando fui bater papo com umas 200 crianças de uma escola e recebi um caloroso e uníssono HI!!! Umas belezinhas... O fato é que andamos por aí falando com as pessoas e é importante saber o código local. E depois do Hello, sempre que possível, vai vir um aperto de mão (eles gostam muito). Só que não é um aperto de mão comum. Depois do aperto de mão como conhecemos (fase normal, brasileira digamos), quando as mãos vão se separar, o dedo maior de ambos escorrega pela mão do outro até encontrar sua contraparte, é quando puxa-se a mão com força para produzir um estalo. Quanto maior o estalo, "melhor" o aperto de mão. Depois, pode-se ainda levar a mão até o meio do peito pra dizer que estamos sendo sinceros, o que funciona também para os muçulmanos de maneira geral. Portanto, quando me verem por aí nas fotos conversando com as pessoas, podem ter certeza que antes rolou um Hello caloroso e um aperto de mão que eu tenho tentando caprichar no estalado... Ah, e quanto ao meu colega dos micróbios? Bem, aprendemos que para quase tudo nessa vida se tem Mastercard... Para outras, muita paciência ou álcool gel ;-)