sábado, 7 de abril de 2012

Harper, destino final: a chegada


Com Silva Mendes e Amin, que tambem foi pra Zwedro
Dormi bem minha primeira noite. Sem roupa de cama, sem travesseiro, sem rede de mosquitos... Mas tinha o essencial: um cansaço muito grande, um colchão e um ventilador. Aconteceu que o cara lá no aeroporto não deixou embarcarmos tudo e prometeu mandar o resto no dia seguinte. Disse que tínhamos que escolher apenas o essencial. Nós tínhamos 5 volumes cada. 3 bagagens em si, mais um ventilador e um colchão. As bagagens não estavam preparadas contemplando uma situação dessas... Portanto, minhas primeiras duas escolhas foram fáceis: o ventilador e o colchão. Por último, apontei para a mala que eu lembrava ter colocado o material de higiene logo cedo.

Finalizada a questão da bagagem, aí vamos nós rumo ao bravo quadrimotor canadense: Dash-7. Aliás, a empresa era uma contratada da ONU; portanto, no meio do além, surgiram na porta do quadrimotor duas aeromoças de calças pretas e camisas bem brancas. Lógico que não havia serviço de bordo, mas ainda assim elas seguiam aqueles protocolos automatizados de apertar os cintos e apontar para a saída de emergência. O mais inusitado era, logo após tocarmos o solo em pistas de terra, elas despejarem o famoso “Sejam bem-vindos à Zwedro”, Greenvile ou Harper. Como assim, tão achando que tão na ponte aérea? Cada pernada não durava mais do que 45 minutos, seguidos de outros 30 a 45 no solo. E todos tinham que descer... Nota: realmente o Brasil está transformando seus aeroportos em Shoppings... Precisam ver a “estrutura aqui”.
Em Zwedro deixei meu bravo companheiro de turma, com quem dividi o tempo de preparação ano passado e com quem vinha sofrendo as aflições das esperas e das adaptações. Além disso, perdi a oportunidade de fazer aquele comentário em paralelo jocoso em português, falar sem esforço... A partir de agora, inglês todo tempo, no máximo um francês...
Aeronave na final em regra de voo visual, “Seja Bem-Vindo à Harper”! Lá estava meu Team Site Leader de Bangladesh me esperando. De posse do “essencial” que tinha escolhido, rumamos às 14h30min para a Companhia de Engenharia Paquistanesa para tentarmos almoçar. A cultura militar é igual em todo mundo mesmo... Lá estava um “cabo véio” da cozinha, que me disse que naquela hora só tinha feijão e arroz, mas que, se eu quisesse, ele poderia fritar um ovo. Não pensei duas vezes, até porque estava me clicando para o “essencial”. ;-)

O escritório fica a 3 minutos da casa. Fomos até lá para conhecer o restante do time. Em seguida, de volta à casa, me apresentaram o quarto. Pequeno, mas bom comparado com outros lugares por aí, inclusive com as acomodacoes do Silva Mendes. Não há água corrente, mas a energia bomba 24 horas por dia... Um outro verdadeiro luxo por aqui... No mais, espaço para a cama, uma escrivaninha pequenina e uma espécie de móvel que lembra um guarda-roupa sem porta. Nada mal. Só fica na parte de baixo da casa, uma espécie de subsolo, porque esta é a lei: os recém-chegados ficam com as piores condições. As pequenas “melhorias” acontecem paulatinamente, na medida em que formos ficando antigos no lugar.

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